quarta-feira, 2 de julho de 2014

CONJUNTO DO IAPI DA PENHA

CONJUNTO DO IAPI DA PENHA 

foto de andredecourt em 13/04/07
Nossa aérea de hoje foca os subúrbios da Leopoldina, mais precisamente o conjunto do IAPI e seus arredores na Penha Circular, quase Olaria.
O IAPI foi construído nos anos 40 pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, a fim de dar moradia barata e financiada a longo prazo aos seus segurados, numa época que a previdência era descentralizada, com inúmeros institutos de pensões, que aparentemente tinham muito mais “poder de fogo” em termos financeiros que o gigantesco INPS criado após do golpe de 1964.
A foto nos mostra um plano geral da região, que apesar de ter mudado pouco na essência de sua ocupação se desenvolveu durante os anos 50,60 e 70 e agora se desconstrói com a decadência carreada pela violência.
À esquerda, vemos o Bairro de Olaria já bem ocupado principalmente junto a linha do trem, ao fundo vemos o Morro do Alemão, ainda longe de ter o violento e absurdo complexo de favelas em suas encostas, mas já favelizado com a presença de uma favela no eixo da Rua Armando Sodré.
Vemos ainda a grande faixa de terra desocupada, a qual abrigava um antigo matadouro, que assim ficou até os anos 70, quando finalmente foi urbanizada. Nesse local foi onde a menina Tânia Maria foi assassinada por ciúmes e vingança por Neide Maia Lopes no crime que ficou conhecido como “A Fera da Penha”. Junto a esta faixa o estádio do Olaria Atlético Clube na Rua Bariri é bem visível, contando ainda com apenas uma arquibancada num dos vértices do campo.
No pé da foto vemos a grande área verde da Fazendinha, sobra da antiga Fazenda Grande, uma das principais propriedades agrícolas da região de Olaria, que ocupava praticamente toda a região e que foi sendo desmembrada aos poucos desde o séc. XIX, sendo uma das suas últimas porções desapropriada para a construção do Hospital Getúlio Vargas.
Na direita da foto temos a Penha Circular na parte inferior e na superior a Vila da Penha, bairros tradicionais na região da Leopoldina e muito famosos pela presença da bela Igreja da Penha encarrapitada no alto de uma escarpada pedreira, infelizmente hoje cercada por favelas.
Olhando com mais atenção para o Bairro da Penha Circular percebemos que ruas hoje com grande tráfego de automóveis como a Rua Costa Rica, importante ligação de Olaria com Brás de Pinna, via Penha não passava de uma via de terra fechada pelo mato, outras vias importantes como a Rua Cuba sequer podem ser visualizadas num cenário que lembra uma área rural.
No centro do conjunto do IAPI, que era como de praxe tinha um programa completo, com escola, área de esportes etc… temos a Praça Santa Emiliana executada pela PDF sob o traço do arquiteto e paisagista Azevedo Neto, a praça ainda mantém seu contorno básico, com as ruas externas sinuosas, mas de sua parte interna pouca coisa do desenho original chegou aos nossos dias.

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